@ 27 setembro 2011

O silêncio grita impresso nas paredes que todas as pequenas coisas se agigantarão

e promoverão um ataque cruel, com violência, contra a calma

como o vento na folhagem seca se espalha e serpenteia

Em um por um dos dias mais difíceis

Nos dias mais difíceis

Em um por um dos dias mais difíceis

No dias mais difíceis

 


@ 22 setembro 2011

Assim como este blog, frustração é o que move todos que queriam, gostariam, seriam, fariam, tentariam algo, foram promessa de grande expectativa e hoje estão improvisados em alguma vida outra, tacanha, medíocre, cheia de gordura, noites mais compridas que os dias e pouca dignidade pessoal e familiar ou nenhum respeito social.

Normalmente essa gente, eu no meio com braçadeira de capitão se isso fosse um time, reclama de tudo e nada presta pra si, porque nada satisfaz nossa demanda sentimental desequilibrada. É uma mistura de carência afetiva acumulada por toda a vida com uma soberba, sem maldade até, é só uma disfunção, fruto do tal do desequilíbrio, despirocação que só faz crescer se não rolar um semancol ou alguém pra te ajudar – o que rolou pra mim, alguém, ainda bem.

A verdade é que não tem nada mais frustrante do que o seu trabalho B – daí você pode entender que existe um trabalho A que sustenta o trabalho B, C, etc – não ser do jeito que você quer, já que o A definitivamente não o é, não rendendo os frutos que você imagina que sejam devidos. E isso só piora com a idade.

Lidar com as pessoas, as coisas, o mundo, a vida é um troço muito difícil. Porque te expõe a conflitos e, no fim das contas, como uma pedra sem forma a gente vai sendo machucado até se tornar algo no final, ainda pedra, mas num formato, depois de sofrer uma… formatação. E sofrer no sentido de se submeter e sentir dor mesmo e muita raiva, principalmente muita raiva, como se pudesse enfiar uma faca no umbigo das pessoas e abrir até a garganta ou só soltar um hadouken.

Eu sou movido à frustração. É só me frustrar que corro pra este blog abandonado. Tão abandonado que até o hoster dele tá abandonado. Mas, como disse, movido à frustração que sou, sempre voltarei. Até porque as coisas que gosto de escrever, pensei ter achado outro lugar, mas não, there’s no place like home, e ‘home’ é o lugar em que você manda e, como imortalizou Capitão Nascimento, ‘quem manda nessa porra sou eu’, voltemos aos trabalhos, transformando irritação em algo engraçado, como as pessoas sempre gostaram de ler por aqui. Ou eu sempre gostei de escrever, pelo menos, o que é mais provável.


@ 14 junho 2011

Incrível como todas as muitas vezes que eu chego aqui para escrever algo, eu sempre paro no terceiro, quarto parágrafo e releio… aí apago tudo. Provavelmente farei isso de novo agora.

Não sei se é chatice ou exigência. Hoje mesmo peguei umas 10  bandas que eu não conhecia para ouvir, entre independentes nacionais e outras famosas, discos que todo mundo tem elogiado, adorado – hoje parece que basta o cara lançar qualquer coisa que seja e já é incrível só por ser daquela banda, daí todo mundo é fã desde criança e tal. Detestei todas as 10 coisas que ouvi.

É aquele negócio de, poxa vida, já existe isso. Daí que eu cansei do disco da minha banda, apesar de toda a grande qualidade com que nos preocupamos em fazê-lo. E todos nós cansamos também. Decidimos que vamos começar a trabalhar as coisas pra um novo disco. Nem sabemos o que será, como será, só queremos que seja muito diferente do Voyage. Mas com que faz algo novo sem conseguir gostar de nada?

Sobre não escrever mais, também tem o problema do meu antebraço e pulso, que me atrapalham demais a fazer quase qualquer coisa, de tocar a escrever, desenhar, carregar, digitar, escovar os dentes, segurar no ônibus, blé, muitas coisas. O que me deixa muito irritado em escrever, mesmo que eu goste muito de escrever.

Então pensei em fazer um videolog. Perguntei pra uma garota o que ela achava de videologers – ela costuma ter opinioes que levo em consideração porque são bem diferentes das minhas em relação a muita coisa – aí ela disse que só o que prestava era o do Ronald Rios, porque ele teria sido o primeiro e todos os outros não gozariam de validade, portanto. Pois é, discordei, mas não me atrevi a fazer – ainda – um videolog. Primeiro porque precisa ter um carisma galopante e ter o mínimo de charme. E, sério, se eu tivesse carisma ou charme não teria um blog, já teria dominado o mundo.

Se bem que esse blog já foi bastante frequentado. Tem o que agora? 30 mil visitas? Eu parei de postar tinha 22 mil. Mas isso era na época em que as pessoas liam. Depois tive que ir inserindo cada vez mais vídeos ou imagens pros que não gostam muito de ler. A pessoa só deixa o comentário ‘ai, muito longo, muitas palavras, não li, risos’. Filhos das putas.

O que me impede também de fazer um videolog é que estou ficando careca numa velocidade que deveria ser estudada pela ciência dos cabelos, seja qual for, porque, se eu perdia 1000 fios por dia, hoje perco uns 5 mil. Tanto cabelo pra cair em tantos lugares e resolvem me cair os da cabeça. Não que eu tenha hoje algum problema com isso. Já ouço ” nossa, você vai ser careca!” desde que tinha 16. Farei 28 em 20 dias. Já deu tempo de acostumar e ficar bem tranquilo em relação a isso.

Daí que todo mundo sabe que quanto menos cabelo, menos carisma. O que explica uma parte de eu ter retomado a caminhada para perder 12 quilos hoje. Como disse ao meu primo, também calvo, careca tudo bem, gordo, sem problema. Mas careca e gordo é foda. Não dá. É forçar a barra com minha mulher. Aí é fácil entender: a gente força a barra, ela manda a gente embora e a gente não pega nunca mais ninguém. A gente que eu falo sou eu. Falo ‘a gente’ que é pra não me sentir tão sozinho nesse momento de auto comiseração.

O mais louco sobre ficar careca é que as pessoas ao seu redor se incomodam muito mais com isso do que você. Outro dia anunciei que rasparia (e rasparei amanhã) a cabeça novamente, porque diante da atual situação é a melhor medida, uma decisão sensata e tranquila, suave. Aí um bom amigo esperneou ‘não faça isso!’, como se eu tivesse alguma outra alternativa, tipo deixar crescer dos lados e pentear pra cima. Ta bom. O que me lembra um comentário do meu irmão dizendo que havia cabeças raspadas boas e ruins: a) uma raspagem perfeita; b)ruins as que apareciam pequenos resquícios de pêlo, como as barbas feitas com barbeador e que ficam bem ralas. Quer dizer que o cara ta careca e raspou tranquilo e ainda tem que ser julgado se a careca dele ta boa ou ta ruim?

Pode não parecer, mas 1 h de caminhada demora muito pra passar. Normalmente passam umas mulheres muito bonitas caminhando aqui na frente de casa. É uma avenida grande, tem um canteiro central, as pessoas caminham nele, correm, respirando todo o CO2 que é liberado pelos automóveis e que se acumula na hora do rush. Aí que é melhor escolher a hora em que o sol cai, escurece mais e aí fica o horário dos gordinhos, que é quando prefiro. Ou pelo meno hoje, no primeiro dia. É engraçado ter tantos primeiros dias. Não lembro de ter chegado ao décimo quinto, sequer.

Tive a impressão de que estava com um short rasgado bem na bunda quando atravessei a rua, então a cada dois passos eu passava discretamente, ou pelo menos eu acreditava que era, a mão pra ferificar se estava tudo no lugar. Fiquei preocupado, sou um pouco preocupado com as coisas todas. Até encontrar um cara que usava um short muito menor do que o tamanho indicado pra ele, de um jeito que eu quase paro para tirar foto e ilustrar este post. Então usei a técnica infalível da época de escola: se você encontrar um cara mais ridículo que você, cola nele. Ninguém vai te ver.

À sombra do ridiculão, caminhei. E acho que na vida a gente acaba achando um jeito de fazer o que se quer fazer. Eu mesmo, que pensei ter desaprendido a escrever depois de mais de 1 ano sem postar, escrevi. E não vou nem reler, senão apago.

Porque escrever é assim, meio que nem caminhar sem querer ser notado, a gente vai se escorregando nas palavras até a hora de voltar pra casa mais aliviado, tranquilo e suave, torcendo pra conseguir fazer o mesmo no dia seguinte.

 


@ 18 janeiro 2011

Acabei de ler esta bio. Eu já era muito fã do falador e do artista que o Lobão é, mas, sinceramente, posso dizer que o impacto que senti foi o mesmo ao ler pela primeira vez Nietzsche. Digo, no sentido de me acordar, sacodir e despertar, me fazendo perguntar o que diabos a gente tem feito das nossas vidas, que não fizemos nada, que não produzimos nada e que sentamos sobre o nosso conforto transpirando toda a paumolescência acumulada nesses anos todos.

Essa porra mexeu tanto comigo que eu ouço o disco que ainda nem foi lançado da minha banda, to olhando pra duas caixas com 100 unidades cada agora mesmo, e até começo a desacreditar da real qualidade das músicas nele. Mas tudo bem.


@ 13 janeiro 2011

A subserviência bovina, de repetições programáticas,

Daqueles que um dia chicotearam com suas línguas

Palavras repetidas num açoite coletivo,

Um linxamento intelectualóide, vazio e dissimulativo

Ultra-neo-burgueses travestidos em revolucionários de condomínio,

Engrossando o coro, sem muito grito, na fortaleza confortável de seus apartamentos,

Fica fácil, bem tranquilo

Se sentir politicamente correto e e só um pouquinho ativo

- pra não cansar

Usurpando o rearranjo improvisado do homem simples para si

Celebrando o sentimento de dever cumprido,

Como quem fala, fala, fala

E torce um pouco para que nem precise ser ouvido.


@ 10 janeiro 2011

Homens e mulheres jovens, bonitas e farristas, e no estilo pop art, “Death Proof” – À prova de morte – é o filme de Tarantino que inspira o encontro entre “Durango95 vs Vandersexxx”, na qual os coletivos de rock’n’roll de Belém se encontram para trazer ao público o melhor da música rocker.

A festa terá duas edições, dia 18 e 25 de janeiro, ás 20h no Studiopub. A proposta é agitar as terças feiras das férias com o melhor do rock a preço promocional de 7 reais, em um frenético duelo musical entre os coletivos, que na verdade não disputam para ver quem se sai melhor, mas é uma forma de se diferenciar na cena underground da cidade das mangueiras.

Quatro dj’s tocando rock punk, pós punk, indie, alternativo, dos anos 70, 80 e 90. Reunindo várias gerações no mesmo lugar e com horário marcado. Marcos e Vinicius pela Vandersexxx , Daniel Leite e Marcelo Papel pela Durango95. Duelo marcado, e quem ganha é o público que vai apreciar música boa. A cena underground de Belém como sempre, surpreende.

Serviço:

Durango95 VS Vandersexxx, um duelo rocker. Round 1º

Dia 18 e 25 de janeiro

Início: 20 Hs

Local: Studiopub – Rua Presidente Pernambuco 277, Batista Campos

Ingressos:  R$ 7.


@ 07 janeiro 2011


@ 04 janeiro 2011

Eu não sei o que ressaltar aqui, se é minha admiração antiga e sempre crescente pelo Lobão – por coincidência estou lendo sua bio, “50 anos a mil”, muito bem escrito, revelador, inspirador – ou se é o desprezo crescente por essa raça miserável que não sei por que inventam de trabalhar com música, se cada vez mais parece que não dão a mínima pra isso, malditos jornalistas medíocres. Mas que raça despreparada, burra e babaca.


@ 16 dezembro 2010

Mais de cinco anos ficaram para trás desde que o Aeroplano subiu ao palco pela primeira vez em algum boteco falido moralmente, numa noite quente dessas típicas de Belém, em que a chuva se arruma toda, mas não cai uma gota do céu.

Provavelmente a única coisa que não mudou de lá pra cá foram as tais noites quentes desta cidade. Hoje o cenário independente é completamente diferente, com muitas outras bandas, outra dinâmica na cadeia produtiva da música, além de diversos novos conceitos de organização dos “atores” desta cena cultural.

Com o Aeroplano não foi diferente: a múltipla personalidade musical de que a banda era acusada de ter, nitidamente traduzida em falta de uma identidade mais forte (ou rígida, menos flexível), o que é natural para toda banda que está iniciando, ficou longe no passado, assim como uma série de influências pueris, coisa de moda da época, foram filtradas pelo tempo que separa os quase 30 anos dos integrantes dos 20 e poucos do início da banda.

Hoje, anunciando Voyage, disco gravado em Goiânia-GO no estúdio RockLab com o diversas vezes premiado produtor Gustavo Vazquez, o quarteto paraense apresenta o single Estou bem mesmo sem você, que reflete com propriedade o que é a cara da banda atualmente, algo como um anti hit obscuro e melodioso sobre fracasso dos relacionamentos diante do desgaste inafastável que o tempo imprime.

O clima de “guitarras empoeiradas”, tratamento lo fi do som e uso de equipamentos e instrumentos da década de 70 segue por todo o disco e podem ser conferidos em mais duas canções que acompanham esta amostra: Pra você, solidão, canção que tem acompanhado a banda desde seu EP de estréia; e a inédita Vermelho que é rosa, provavelmente a música mais densa da obra.

Assim como cada uma das músicas que constituem o disco – e o single, consequentemente – Voyage fala sobre o desprendimento, o abandono, a partida sem saber onde se vai chegar, a viagem em si, não pelo destino, mas pela flexão do verbo, o meio, não o fim. A banda trouxe isso para a arte que acompanha o referido trabalho, baseando o conceito da obra no isolamento, na solidão, não na desesperança, mas por opção de estar só no mundo, de passagem, mas ainda assim estar bem. E é bem assim como soa.

Baixe agora:

www.senhorf.com.br

www.doutromundo.com.br

Na rede:

www.twitter.com/aeroplanorock

www.aeroplanando.blogspot.com

www.myspace.com/aeroplanobr

www.youtube.com/aeroplanorock

www.fotolog.com/aeroplanorock


@ 08 dezembro 2010

Rapidola.

Passou o  Se Rasgum V e eu nem comentei que, ao lado do Camillo Royale e de Eliezer Wonkas, eu pude ministrar um workshop sobre guitarras, pedais e fuleragens. Uma das coisas sobre a que mais se falou naquela manhã inusitada foi ‘perda de sinal’.

Eliezer levou um board pra lá e mostrou uma cadeia de pedais dividida em loop, mostrando que do lado dos true by pass se tinha um sinal mais verdadeiro do que do outro lado, dos digitais; e também mostrou que grandes cadeias ou cabos de má qualidade, ou até mesmo os cabos longos jogam contra o patrimônio, digo, te fazem perder sinal.

Vocês já devem ter percebido que o Aeroplano voltou do período das longas férias de 9 ou 10 meses de 2010. Tanto que dia 18 tem nosso ensaio aberto e, antes, dia 11 vamos tocar no Balanço do Rock com violas e bater um papo com o mestre Beto Fares, além de se dar lá oficialmente o lançamento do nosso single virtual – lá e no site Senhor F, pelos selos Senhor F Virtual (Obrigado, Fernando) e Doutromundo Discos (valeu, Bernie), além dos nossos parceiros regionais, como Música Paraense, Som do Norte, Ponto Zero, Ecleteca, Veia Pop, VeroPop/RockPará e outros.

Daí que tivemos que voltar a ensaiar. Meu board não ia pra um palco desde março, eu acho, nem sei, e eu tinha até desmontado tudo, tinha pensado em vender metade e comprar uma Full HD pra jogar meu PS3 com um pouco mais de dignidade, mas não o fiz, ninguém quer dar 900 num pedal, é foda, mas talvez tenha sido melhor assim.

Dois ensaios rolaram e senti uma tristeza infinita que vinha do amp  que usava. Na certeza daquele que protege os seus, acusei as válvulas do amp. Depois podia jurar ser a energia elétrica, talvez espiritual, não sei; outro usei meu amp e foi a mesma paumolecência. Em casa, nas duas últimas horas antes deste post, eu fiquei testando cabinho por cabinho que ligam os 7 pedais da minha cadeia e descobri o real vilão ladrão de volume e frequências. Tava começando a acreditar que tinha mesmo era que trocar de guitarrista, como disse Bruno, o baixista. Mas isso é típico de baixistas. Essa raça – fui brincar assim com uma baixista que conheci e ela não gostou. Tudo bem. Baixistas…

Daí que queria aconselhar meus cupinchas tocadores de guitarras que não sejam preguiçosos, como fui, e revirem a droga do seu pedalboard e da chain toda pra descobrir o problema. É uma merda usar pedais, ainda mais se forem muitos, e ter que ficar caçando o cabinho com problema na hora do show – ainda mais se você tiver investido tanto – tempo e grana – pra conseguir aquele timbre lindo, e de repente ele não ser mais tão bonito assim. Se for pra se bater na hora do show, é melhor desistir, até.

É como tuitei ainda há pouco, eu já sou um guitarrista medíocre, não toco nada, se ainda aparecer por aí com timbre ruim, melhor fechar as portas e cancelar essa porra toda. E comprar uma Full HD.