Incrível como todas as muitas vezes que eu chego aqui para escrever algo, eu sempre paro no terceiro, quarto parágrafo e releio… aí apago tudo. Provavelmente farei isso de novo agora.
Não sei se é chatice ou exigência. Hoje mesmo peguei umas 10 bandas que eu não conhecia para ouvir, entre independentes nacionais e outras famosas, discos que todo mundo tem elogiado, adorado – hoje parece que basta o cara lançar qualquer coisa que seja e já é incrível só por ser daquela banda, daí todo mundo é fã desde criança e tal. Detestei todas as 10 coisas que ouvi.
É aquele negócio de, poxa vida, já existe isso. Daí que eu cansei do disco da minha banda, apesar de toda a grande qualidade com que nos preocupamos em fazê-lo. E todos nós cansamos também. Decidimos que vamos começar a trabalhar as coisas pra um novo disco. Nem sabemos o que será, como será, só queremos que seja muito diferente do Voyage. Mas com que faz algo novo sem conseguir gostar de nada?
Sobre não escrever mais, também tem o problema do meu antebraço e pulso, que me atrapalham demais a fazer quase qualquer coisa, de tocar a escrever, desenhar, carregar, digitar, escovar os dentes, segurar no ônibus, blé, muitas coisas. O que me deixa muito irritado em escrever, mesmo que eu goste muito de escrever.
Então pensei em fazer um videolog. Perguntei pra uma garota o que ela achava de videologers – ela costuma ter opinioes que levo em consideração porque são bem diferentes das minhas em relação a muita coisa – aí ela disse que só o que prestava era o do Ronald Rios, porque ele teria sido o primeiro e todos os outros não gozariam de validade, portanto. Pois é, discordei, mas não me atrevi a fazer – ainda – um videolog. Primeiro porque precisa ter um carisma galopante e ter o mínimo de charme. E, sério, se eu tivesse carisma ou charme não teria um blog, já teria dominado o mundo.
Se bem que esse blog já foi bastante frequentado. Tem o que agora? 30 mil visitas? Eu parei de postar tinha 22 mil. Mas isso era na época em que as pessoas liam. Depois tive que ir inserindo cada vez mais vídeos ou imagens pros que não gostam muito de ler. A pessoa só deixa o comentário ‘ai, muito longo, muitas palavras, não li, risos’. Filhos das putas.
O que me impede também de fazer um videolog é que estou ficando careca numa velocidade que deveria ser estudada pela ciência dos cabelos, seja qual for, porque, se eu perdia 1000 fios por dia, hoje perco uns 5 mil. Tanto cabelo pra cair em tantos lugares e resolvem me cair os da cabeça. Não que eu tenha hoje algum problema com isso. Já ouço ” nossa, você vai ser careca!” desde que tinha 16. Farei 28 em 20 dias. Já deu tempo de acostumar e ficar bem tranquilo em relação a isso.
Daí que todo mundo sabe que quanto menos cabelo, menos carisma. O que explica uma parte de eu ter retomado a caminhada para perder 12 quilos hoje. Como disse ao meu primo, também calvo, careca tudo bem, gordo, sem problema. Mas careca e gordo é foda. Não dá. É forçar a barra com minha mulher. Aí é fácil entender: a gente força a barra, ela manda a gente embora e a gente não pega nunca mais ninguém. A gente que eu falo sou eu. Falo ‘a gente’ que é pra não me sentir tão sozinho nesse momento de auto comiseração.
O mais louco sobre ficar careca é que as pessoas ao seu redor se incomodam muito mais com isso do que você. Outro dia anunciei que rasparia (e rasparei amanhã) a cabeça novamente, porque diante da atual situação é a melhor medida, uma decisão sensata e tranquila, suave. Aí um bom amigo esperneou ‘não faça isso!’, como se eu tivesse alguma outra alternativa, tipo deixar crescer dos lados e pentear pra cima. Ta bom. O que me lembra um comentário do meu irmão dizendo que havia cabeças raspadas boas e ruins: a) uma raspagem perfeita; b)ruins as que apareciam pequenos resquícios de pêlo, como as barbas feitas com barbeador e que ficam bem ralas. Quer dizer que o cara ta careca e raspou tranquilo e ainda tem que ser julgado se a careca dele ta boa ou ta ruim?
Pode não parecer, mas 1 h de caminhada demora muito pra passar. Normalmente passam umas mulheres muito bonitas caminhando aqui na frente de casa. É uma avenida grande, tem um canteiro central, as pessoas caminham nele, correm, respirando todo o CO2 que é liberado pelos automóveis e que se acumula na hora do rush. Aí que é melhor escolher a hora em que o sol cai, escurece mais e aí fica o horário dos gordinhos, que é quando prefiro. Ou pelo meno hoje, no primeiro dia. É engraçado ter tantos primeiros dias. Não lembro de ter chegado ao décimo quinto, sequer.
Tive a impressão de que estava com um short rasgado bem na bunda quando atravessei a rua, então a cada dois passos eu passava discretamente, ou pelo menos eu acreditava que era, a mão pra ferificar se estava tudo no lugar. Fiquei preocupado, sou um pouco preocupado com as coisas todas. Até encontrar um cara que usava um short muito menor do que o tamanho indicado pra ele, de um jeito que eu quase paro para tirar foto e ilustrar este post. Então usei a técnica infalível da época de escola: se você encontrar um cara mais ridículo que você, cola nele. Ninguém vai te ver.
À sombra do ridiculão, caminhei. E acho que na vida a gente acaba achando um jeito de fazer o que se quer fazer. Eu mesmo, que pensei ter desaprendido a escrever depois de mais de 1 ano sem postar, escrevi. E não vou nem reler, senão apago.
Porque escrever é assim, meio que nem caminhar sem querer ser notado, a gente vai se escorregando nas palavras até a hora de voltar pra casa mais aliviado, tranquilo e suave, torcendo pra conseguir fazer o mesmo no dia seguinte.